quarta-feira, 4 de maio de 2016

Nosso Dia em Palavras

Hoje foi um dia mais leve. Quer dizer, foi um dia fisicamente cansativo, no qual não faltaram caminhadas longas (sem falar em 4 horas de estrada). Por outro lado, hoje vimos e falamos muito mais a respeito da vida judaica e dos mil anos de judaísmo polonês do que sobre os 5 anos que destruíram impiedosamente essa comunidade.

Por isso, diria que hoje foi um dia leve, alegre, colorido, bonito. Cracóvia é uma bela cidade e, ao contrário de Varsóvia, não foi devastada durante a guerra. O que aconteceu aqui foi que os nazistas escolheram a cidade para ser a capital do "Governo Geral" nazista na Alemanha. Essa escolha teria como objetivo também humilhar os poloneses - uma maneira do ocupante dizer ao país dominado: "Sua capital não é Varsóvia, a capital da Polônia é onde NÓS dissermos que é". Além disso, parece que os nazistas também levaram em conta a história da monarquia polonesa que se instalara aqui no passado. De todos os modos, os nazistas não queriam ter uma capital devastada. Preferiam que a arte, os prédios e  estrutura da cidade fosse preservada, de modo que poupou-a durante os ataques que levaram à conquista da Polônia em 1939 (se compararmos ao pesado bombardeio que lançaram sobre Varsóvia).

Deste modo, as casas dos judeus, as sinagogas e tudo mais na cidade foi bastante preservado. Por outro lado, os alemães queriam uma Cracóvia judenrein - "limpa de judeus" - de maneira que os judeus são expulsos de suas casas e forçados a deixar a cidade. Numa segunda fase, são levados a cruzar o rio para o Gueto do outro lado. Este processo pode ser bem percebido no início do filme "A Lista de Schindler". No caso, o filme mostra logo no início, inclusive que Schindler, como outros alemães receberam casas confortáveis e intactas de judeus, que foram forçados a sair. (o filme também documenta bem a "liquidação" do Gueto).

Chegamos na cidade logo após o meio dia e nossa primeira parada foi o Alt Shul - a sinagoga mais antiga da Polônia e uma das mais antigas da Europa, datando do século 15 (mais antiga, portanto, do que o Brasil). A sinagoga é hoje um museu.

Entrada do Bairro Judaico (Kazimiersz) - Alt Shul


De lá fomos para a sinagoga do rabino Moisés Isserles, o Remá. Ele viveu aqui no século 16 e foi um dos maiores sábios do povo judeu, autor do maior código da lei judaica para os Ashkenazim e que foi incorporado ao Shulchan Aruch. Sua obra influencia até hoje a vida de milhões de judeus cotidianamente.

Lá, no interior da antiga sinagoga, tivemos uma grata surpresa: um grupo da rabanut hatsavait do exército israelense estava lá ensaiando. Foi um grande prazer ouvi-los. Confira abaixo o que vimos na sinagoga (vale a pena!). Repare que não há nenhum instrumento musical de qualquer tipo. Legendas e tradução livre, deste que vos escreve.



De lá fomos conhecer o Museu da Galícia que conta a história dos judeus dessa parte da Polônia. Além disso, o museu está com uma exposição temporária, intitulada "pinte o que você vê". Trata-se de uma série de pinturas de uma criança de 12 anos a quem, em Theresienstadt, foi dito "pinte o que você vê". Ela abriu assim, através de sua arte, uma janela para outro mundo. Confira algumas imagens das obras. Mais tarde, quem sabe, consigo fazer o upload da nossa visita ao museu.







Seguimos, então para a sinagoga Isaac (pronuncia-se Aizak). Escutamos sua história e conhecemos o belo e amplo interior da sinagoga. Esta sinagoga não se tornou um museu. Muito pelo contrário, funciona diariamente.

Sinagoga Isaac

Sinagoga Isaac


Saímos de lá para fazer o mesmo caminho que os judeus que foram obrigados a deixar o bairro judaico de Kaszimierz para o gueto em Podgorz. Cruzamos a ponte. No local onde fora instalada a terrível praça de deportação há hoje um monumentos com cadeiras vazias. Em frente a elas, a farmácia de Thadeusz Pankewicz, um justo entre as nações, que se arriscou para salvar muitas vidas de judeus no gueto. Lá, nos encontramos com outros grupos do Brasil e fizemos uma cerimônia para marcar o início do Yom Hashoá que hoje ao anoitecer.

Atravessando o Rio

Atravessando o Rio





Depois da emocionante cerimônia, fomos para bela e colorida cidade velha (Stare Miasto) de Cracóvia, onde tivemos uma hora livre para conhecer, cheirar, olhar e comer. Voltamos então ao hotel para jantar e ter uma conversa - afinal muito já se passou e amanhã é o grande dia. Amanhã acordamos cedo para ser parte de algo muito grande: uma experiência que nos acompanhará para sempre.

Cidade Velha

Cidade Velha

Já no Hotel


PS - Mais tarde vou tentar fazer o upload de um vídeo sobre nosso dia de hoje.





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